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sábado, 23 de janeiro de 2010

Avatar





Inegavelmente Avatar é um ótimo filme. Mistura bem personagens humanos com os virtuais. Aliás, AVATAR, segundo o Houaiss, na crença hinduísta, é a descida de um ser divino à terra, em forma materializada [Particularmente cultuados pelos hindus são Krishna e Rama, avatares do deus Vixnu; os avatares podem assumir a forma humana ou a de um animal]. No caso do filme, o ser humano é que "sobe" ao mundo virtual e assume o corpo de um avatar que é criado de acordo com suas singularidades humanas, só que com alguns dons do povo de Pandora, que ainda têm uma estreita conexão com os outros seres naturais. Isso é uma alegoria, já apontada por Max Weber, do processo que o homem passou ao adotar o racionalismo como cosmologia, ou seja, o desencantamento do mundo, a separação natureza e cultura. Acho que é esse o principal mote de Avatar. Os humanos - como no séc. 19 - ávidos por explorar as riquezas e recursos naturais de Pandora, se vêem frustrados pelos nativos que, com sua visão de mundo, impedem seu acesso a estas riquezas. E qual o caminho mais fácil para consegui-la? A destruição do mundo nativo, que munido de arcos e flexas não têm chance contra o warfare humano. Será que vocês já viram esse filme antes? O filme se passa no século 22, mas é apenas uma repetição do que ocorreu no século 19 e parte do 20. O que não dá muita esperança para os que acreditam e pretendem um desenvolvimento sustentável, tomando como referência, agora no século 21 também, os resultados do COP15.
Enfim, Avatar, como Blade Runner, O Dia Depois de Amanhã, ainda mantém a certa teimosia humana de não renunciar à sua acumulação sem motivo, de adotar uma vida tecnológica, desligada das coisas, que paradoxalmente, nos torna humanos. Para Pandora, só resta mesmo recomeçar. Construir seu mundo a partir, não do zero, mas do um, já que para eles ainda sobrou a Árvore das Almas que ainda conecta seu povo com o seu passado.
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